sexta-feira, 30 de março de 2018

‘Bar do Vasco’, em Crato, há seis anos reúne torcedores do clube carioca

Em 1979, o Vasco da Gama foi bi-campeão carioca e vice-campeão brasileiro. A final entre Internacional e o clube carioca, em Porto Alegre, marcou a despedida de Roberto Dinamite de São Januário. No ano seguinte, ele jogaria pelo Barcelona, da Espanha. No entanto, o ídolo vascaíno, destaque no primeiro título nacional em 1974, foi mais uma vez o artilheiro da temporada. Naquele mesmo ano, neste município do Cariri cearense, nascia Roberto Santos do Brasil, criador do ‘Bar do Vasco’, que foi batizado em homenagem ao Dinamite.
Roberto, no caso o “Santos do Brasil”, se tornou vascaíno doente por influência do seu pai, que escolheu o nome. Esta paixão herdada pelo clube carioca fez ele criar, há seis anos, o ‘Bar do Vasco’, no centro de Crato, que reúne torcedores apaixonados e amigos. Nas paredes do bar vários posters e quadros enfeitam com times marcantes. Adesivos e ímãs colorem a geladeira e o freezer. Mas o que chama atenção é portão, pintado nas cores da bandeira do Vasco.
Antigamente, no local, funcionava o Bar do Dedé, que já carregava a pintura da bandeira no portão graças ao seu antigo dono, também vascaíno. “Torcedor doente”, como ele mesmo define, Roberto largou o emprego de garçom e decidiu investir no próprio estabelecimento, assumindo o aluguel de lá. “Eu já frequentava aqui e, de acordo com o portão, peguei as características do bar e acrescentei. Eu, como vascaíno doente, apaixonado, só fiz aumentar”, revela.
Aos 39 anos, é do ‘Bar do Vasco’ que Roberto tira o sustento de sua família, que mora no mesmo prédio, no andar de cima. O estabelecimento abre a partir da terça-feira e se tornou local de concentração dos torcedores em dias de jogos e títulos do Vasco da Gama. A TV é trazida de sua casa e, cerca de 20 amigos, a maioria vascaínos, se concentram na frente da tela. “Mas ainda vem alguns pra secar”, confessa.
O comerciante garante que a relação com outros torcedores é boa, pois, “de qualquer forma, são clientes, mesmo sendo os flamenguistas”, brinca. Por causa da decoração, muitos visitantes tiram foto por lá. No entanto, o que garante o sustento é a fidelidade dos vascaínos, como no caso do funcionário público Sérgio Linhares, que frequenta o Bar do Vasco desde sua criação. “Aqui é um ponto de encontro dos torcedores do Vasco e congrega outros torcedores. Tudo no clima de amizade”, conta.
Já o agrônomo Paulo Sérgio Filgueira Sampaio, outro vascaíno, conhece o Roberto desde os tempos de garçom e permanece como cliente graças ao seu atendimento e amizade. “Desde pequeno assistia os jogos no Restaurante Primavera, onde ele trabalhava. Aqui, o ambiente é agradável, o dono do bar é gente boa. Muito receptivo”, explica.
Apenas um incidente foi registrado no Bar do Vasco quando o clube foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro, pela terceira vez, em 2015. De manhã cedo, Roberto acordou e se deparou com várias fitas “isolando” o bar. Mais tarde, uma carreata de flamenguistas saíram do centro até o estabelecimento carregando um caixão de papelão com as cores do Vasco. Roberto não se intimidou e partiu pra cima do caixão com uma faca, cortando ao meio e colocando os rivais para correr. “Eu pedi pra não virem pra cá. Eu ceguei na hora, depois vi que era um amigo meu e pedi desculpa”, lembra.

Por causa disso, jogos entre Vasco e Flamengo não são transmitidos no estabelecimento. “Eu fico nervoso, não assisto e fecho o bar”, explica o comerciante. Nas outras partidas e títulos, o hino do clube carioca toca o dia inteiro e “o foguetório é maior do mundo”, como ele mesmo diz. “O pessoal vizinho tem até raiva”, explica.

Ídolo
Na memória de Roberto, vários momentos marcantes do Vasco vêm a sua mente, mas o principal foi a vitória sobre o Flamengo pela semifinal do Campeonato Brasileiro de 1997, pelo placar de 4 a 1. “Edmundo humilhou o Flamengo”, conta. É o atacante, que brilhou no título brasileiro daquele mesmo ano, o único ídolo do comerciante. Nem mesmo Dinamite, que carrega no nome, tem sua idolatria. “Admiro outros jogadores, mas ídolo, só um: Edmundo”, decreta. Por isso, batizou seu filho com o mesmo nome. Edmundo Santos, de 14 anos, não poderia ser diferente e virou vascaíno. “Família toda é vascaína: pai, mãe, sogro, filho, gato, papagaio, cachorro”, completa Roberto.
Por isso, um dos sonhos de Roberto é conhecer o ex-jogador Edmundo. O outro, ele considera mais possível, que é ver a um jogo no estádio de São Januário, casa do Vasco da Gama, no Rio de Janeiro. “Nosso sonho de conhecer Edmundo se Deus quiser acontecerá, mas quando meu filho tiver 18 anos, vamos pra São Januário”, projeta. Apesar da distância, Roberto já foi às partidas do clube carioca em Fortaleza e Juazeiro do Norte, sempre carregando sua bandeira gigante. “No jogo, um cinegrafista mandou a gente se juntar e eu abri a bandeira. Começamos a cantar o hino e eu comecei a chorar. Até agora me emociono”, conta o fanático torcedor.
- no DN

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