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Uma semana após chacina, ato de resistência ocupa Praça da Gentilândia em Fortaleza

Música, capoeira, circo, skate, futsal, grafite. A mesma Praça da Gentilândia que viu há uma semana a barbárie de uma chacina sediou, na noite de ontem, ato de ocupação cultural e esportivo. O evento Juventude pela Vida reuniu 16 atividades voltadas para que a população de todas as idades pudesse utilizar o local e a vizinha praça João Gentil como espaços de desfrute da Cidade, mesmo em tempos de violência, em que a desesperança teima em se fortalecer.

Promovido pela Coordenadoria da Juventude da Prefeitura de Fortaleza, o evento já estava previsto para ocorrer em março em outros pontos da Capital. No entanto, a chacina do último dia 9 no local, que deixou quatro pessoas mortas e pelo menos outras duas gravemente feridas, motivou o órgão a promover o ato na noite de ontem. 
“O Juventude pela Vida é um grito pela paz. O Benfica é um espaço muito importante simbolicamente. Vamos organizar, dialogar com as pessoas para elas virem de novo para cá. Em homenagem a essas pessoas que morreram e lutar para que nossa Cidade possa vencer isso unida”, afirma Júlio Brizzi, coordenador da Juventude.  
Ele complementa que outra edição do evento está prevista ainda neste mês para o bairro Cajazeiras, onde outra chacina, em janeiro, vitimou 14 pessoas. 
O estudante Carlos Lucas, 19, é também skatista amador e usa a pista da Praça da Gentilândia como local de prática há três anos. Ele conta que eventos como os de ontem ajudam a agregar pessoas que já costumam frequentar a praça. “Esse aqui é o lugar que eu uso para andar de skate. É onde pratico. Conheço o pessoal que frequenta, que vende lanche. O importante é não deixar o que aconteceu faça esse ‘pico’ morrer”, afirma. 
Dona Waldenia Lopes é dona de uma barraquinha de sanduíches e comidas típicas na praça há 20 anos. Ela relata que nos últimos tempos o local vem se tornando mais violento. “Quanto mais gente aqui, melhor e mais seguro. Claro que tem a tristeza depois do que aconteceu, mas o jeito é todos nós seguirmos em frente”, diz, esperançosa. 
Além das atividades culturais e esportivas, o Juventude pela Vida teve um espaço com profissionais de saúde dando orientações e tirando dúvidas da população. O espaço de redução de danos também fez parte do ato. “Fazemos um trabalho espiritual, sem rótulos de religião. Nossos voluntários fazem terapias holísticas como reiki, ioga e meditação como forma de renovação de energias. É uma forma de prestar solidariedade em um ambiente que precisa de amor”, explica Artuneto Nobre, membro da comunidade Afago,k no trabalho de redução de danos.
- no jornal O Povo
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