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Juazeiro mantém tradição de subir o Horto a pé na Semana Santa

Como tradição, milhares de pessoas subiram a Colina Horto a pé durante toda esta sexta-feira (30). Durante a Semana Santa, muitos romeiros aproveitam o feriado e visitam o Município. A subida, para muitos, representa reviver a Via Sacra e os passos que Jesus deu antes de ser crucificado. Filas enormes aguardava um para visitar a estátua do Padre Cícero e o Casarão Museu Vivo.
Pela madrugada, as primeiras pessoas começam a sair de casa, muitos vindo de cidades vizinhas. De Crato, o céu ainda é escuro quando a Avenida Padre Cícero já concentra alguns grupos de pessoas. Lá, na Colina do Horto, o dia se torna uma grande confraternização e encontros de moradores. Dezenas de pessoas armam suas redes, reúnem as famílias e fazem uma espécie de piquenique ao ar livre.
Filas se formaram para visitar estátua do Padre Cícero.
Para da conta do volume de pessoas, a Prefeitura de Juazeiro do Norte realizou um trabalho integrado entre as secretarias para fortalecer o evento religioso, ordenando as ruas, garantindo a segurança e o atendimento de saúde. O apoio se concentrou, principalmente, na Rua do Horto, conhecida como “estrada velha”, por onde milhares de pessoas caminham até a estátua. A Guarda Civil Municipal e o Demutran auxiliaram os participantes.
Três tendas foram montadas no Memorial Padre Cícero, na Pedra do Joelho e na Colina do Horto orientando os transeuntes e visitantes. A Secretaria de Saúde dispôs de equipes para primeiros socorros e uma ambulância do Samu esteve disponível para dar assistência à população.
Tradição 
A comerciante Gorete Rocha veio do Rio de Janeiro visitar a família e aproveitou para reviver a tradição que começou quando era ainda pequena, trazida pela mãe. “Faz muitos anos que não subo. Aqui é tradição e fé. Só que mais tradição”, explica. Sua irmã, a dona de casa Vera Lúcia Rocha, realiza o trajeto todo ano. “Eu venho não só na Semana Santa. Eu gosto de tudo, olhar as pessoas diferentes, é um encontro”, explica.
Já dona de casa Cicera Rodrigues, acredita que apesar do cansaço, a caminhada representa a vontade e fé dos romeiros. “Está com três anos que vim. Cansativo é, chego aqui já morrendo”, brinca. Enquanto o operador de triagem, Pedro de Oliveira, acredita que a visita ao Horto representa a cultura do povo nordestino.
Pedro foi um dos milhares de fiéis que visitaram o Santo Sepulcro nesta sexta-feira para “perder um pouquinho os pecados e também melhorar a saúde”, disse. Para ele, este ano, a tradição atraiu muito mais pessoas que em 2017.  “Todo ano venho e enquanto tiver saúde a gente vem. Desde criança nós conhecemos isso com veredas, só passava uma e duas pessoas. A tendência é melhorar com a ampliação da igreja, o espaço físico, a floresta natural bem preservada. Cansado um pouco, mas resistindo ainda”, confessa.
Movimento 
Durante a passagem de visitantes, foram entregues cerca de 12 mil panfletos interrogando “Onde está o corpo da beata Maria de Araújo?”. A campanha, que conta com participação do ex-vereador de Fortaleza, o engenheiro Robert Burns, natural de Juazeiro do Norte, está colhendo abaixo-assinado e já foi divulgada em rádios. Para ele, o sumiço do corpo da beata é uma discussão que deve ser retomada no Município.
“Se houve um milagre em Juazeiro, quem fez foi a beata. O padre Cícero lutou, desde o começo, para que se encontrasse o corpo dela. Não estamos pedindo pra ser santa ou não, estamos pedindo o direito de enterrar o corpo dela para fechar o ciclo da história de Juazeiro. As primeiras romarias eram para a beata Maria de Araújo e por que esconder? Porque ela era negra, pobre?”, provoca Robert.
- no DN 
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