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No Nordeste, a força de Lula dita eleições estaduais


Atualmente preso pelas condenações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é uma figura central apenas na disputa pela Presidência da República. Nos três maiores eleitorados do Nordeste, o petista é crucial nas definições das coligações para o pleito de 2018.
O mais recente levantamento Datafolha indicou a força eleitoral do petista na região. Na pesquisa espontânea, aquela em que o instituto não apresenta uma lista de candidatos, 25% dos eleitores no Nordeste indicaram voto em Lula. O segundo colocado neste quesito foi o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), com 4%. Nas pesquisas estimuladas (com a lista exibida aos eleitores), Lula tem 49% ou 50% das intenções de voto dos nordestinos nos cenários em que é incluído.
Com este quadro no horizonte, o petista paira também sobre as eleições estaduais.
Na Bahia, a situação é a mais favorável para o PT. O partido tem no governo do estado um fiel aliado de Lula, Rui Costa, que é bem avaliado pelos eleitores. A oposição cogitou apostar em ACM Neto (DEM), prefeito de Salvador e também de gestão elogiada. Enquanto contemplava uma candidatura, o democrata moderou seu discurso durante a fase final do julgamento de Lula. O prefeito, que quando deputado disse ser capaz de “dar uma surra” no petista, se limitou a lamentar que o ex-presidente tenha chegado a essa situação e saudou o que diz ser a independência do Judiciário.
ACM Neto decidiu seguir no cargo alegando ser essa era sua vontade pessoal, mas o cenário político não era favorável a ele.
Em 2016, quando foi reeleito, ACM Neto teve no segundo turno um apoio importante que hoje serviria apenas para afundá-lo – o do PMDB do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Depois da apreensão de 51 milhões de reais em um apartamento no bairro da Graça, em Salvador, dificilmente Geddel ou o PMDB serão aliados significativos para qualquer dos lados na Bahia.
Sem ACM Neto, o DEM lançou a pré-candidatura de José Ronaldo, ex-prefeito de Feira de Santana, e o PSDB escolheu o deputado federal João Gualberto. Para os dois, hoje, a melhor das expectativas é tentar evitar uma vitória de Rui Costa ainda no primeiro turno.
No Ceará, a oposição também enfrenta dificuldades para lidar com o fator Lula, mas parece mais viável. O governador Camilo Santana (PT) é bem avaliado pelos eleitores e deve mais uma vez ter o apoio dos irmãos Cid e Ciro Gomes, hoje abrigados no PDT. Além deles, pode estar na chapa de Camilo o seu adversário no segundo turno do pleito de 2014 – Eunício Oliveira (PMDB), o presidente do Senado. Em dezembro, durante evento no Ceará, Eunício fez discurso enaltecendo os feitos de Lula no estado e no Nordeste. Em fevereiro, disse que votaria em Lula para presidente caso seu partido não tivesse candidato. “Eu fui ministro do Lula. Ele fez a transposição [do rio São Francisco] e resolveu o problema da água em quatro estados”, disse. A declaração ocorreu em meio às articulações de Michel Temer para ser o candidato do PMDB ao Planalto.
Sem Eunício, a oposição cearense tem no senador Tasso Jereissati (PSDB) seu nome mais forte. A candidatura, no entanto, ainda não está colocada. Uma aposta para fugir do embate a respeito do legado de Lula é lançar mão de um nome que tenha na segurança pública sua principal plataforma. Fortaleza é uma das cidades mais violentas do Brasil e do mundo e o estado como um todo vive uma crise aguda agravada por conta de uma disputa entre organizações criminosas.
Segundo colocado nas eleições municipais na capital em 2016, o hoje deputado estadual Capitão Wagner (Pros), oriundo da Polícia Militar, é um nome visto como capaz de derrotar Camilo Santana. Na eleição presidencial, Wagner já anunciou seu apoio a Jair Bolsonaro. O PSDB, por sua vez, conseguiu a filiação do general de quatro estrelas Guilherme Teophilo, ex-comandante do Exército na Amazônia.
Em Pernambuco, a influência de Lula também é evidente. Ainda que o PT não tenha no estado uma posição de destaque como as desfrutadas na Bahia e no Ceará, é provável que a eleição estadual não conte com nenhum candidato anti-Lula relevante.
O governador Paulo Câmara (PSB) vai disputar a reeleição e sua prioridade é atrair o apoio do PT e de Lula a sua chapa, para tentar evitar o segundo turno. Câmara deve perder muitos votos caso o partido lance candidato próprio. A principal postulante petista é a vereadora do Recife Marília Arraes, prima de Eduardo Campos, morto em 2014, e neta de Miguel Arraes, ex-governador pernambucano cassado pela ditadura e figura mítica no estado.

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