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PT vai para o martírio ou para a eleição?

MAIS CEDO ou mais tarde, não muito tarde, Lula da Silva deve ter seus movimentos cerceados, talvez confinado em casa, talvez na cadeia. Terá sido condenado três vezes, ao menos em termos político-jurídicos. O PT terá de decidir antes do que imaginava se irá para o combate ou para a eleição.
É fácil perceber que a decisão petista redefine as oportunidades das demais candidaturas e, assim, os efeitos eleitorais nesta recuperação econômica rastejante. A retirada de Lula, imposta pela Justiça ou por nova estratégia do PT, vai acelerar os testes de candidaturas de “outsiders”, “novos” e aventureiros.
Desde fins do ano passado, verificou-se com certa surpresa que o PT levaria a candidatura Lula até o fim, condenado ou não. 
A campanha eleitoral e judicial dos petistas acabaria apenas em agosto, quando e se Lula fosse impedido, provavelmente pelo TSE. Apenas então o ex-presidente ungiria seu sucessor, para quem faria um depósito instantâneo de votos, imaginava-se.
Nesta quarta-feira (4), estava difícil de extrair de petistas alguma ideia do que fazer da campanha. Alguns pareciam mesmo desnorteados, outros com raiva demais para raciocinar, e outros, faz tempo mais conformados com a derrota judicial, ainda diziam, a contragosto, que era preciso esperar a posição de Lula, outra vez.
Como está mais do que sabido, caso persista a fragmentação, candidaturas ao léu e a dar com o pau, maior será a chance de se passar ao segundo turno com votação baixa.
Os petistas pragmáticos querem definir logo um plano para lançar essa candidatura. Argumentam também que, quanto mais cedo houver nome e programa, mais fácil será afastar a ideia de que a hipótese de vitória do PT vá convulsionar a economia e mais fácil será manter ou reconquistar eleitores.
Os responsáveis pela elaboração do programa do PT na maioria trabalham com planos algo diferentes daqueles gritados pela direção do partido e por Lula, nos palanques.
Nas caravanas, Lula fazia discursos de vai e racha, de convocação de plebiscitos para revogar as reformas de Michel Temer, além de dizer muita bravata populista pouco inteligente. Não se via ali nenhum indício de programa que conversasse com os problemas reais do país (não há programa único para lidar com tais problemas, ressalte-se). O PT ainda irá para a guerra e assim para um sacrifício inútil, talvez burro, 
ou vai refazer logo os planos?
Assim como ocorreu na condenação de Lula, a prisão provável do ex-presidente assanha uma nova leva de testes de candidaturas. A hipótese do “vai que cola” é de resto favorecida pela campanha de Geraldo Alckmin, que rateia, e pela nova morte política de Michel Temer, o que leva partidos de sua coalizão a procurar novas boquinhas.
Com Lula progressivamente fora do jogo, deve ser possível saber mais cedo se Joaquim Barbosa cola e decola e se as candidaturas pululantes na direita (vulgo “centro”, hoje em dia) vão cortar as asas de Alckmin. 
Em suma, pode ser que o dito mercado saiba mais cedo se pode manter sua alegre confiança de que um candidato das “reformas” vá vencer. Ou se vão aderir mesmo ao “fascismo de mercado”, como economistas democráticos apelidam a alternativa de extrema direita.
- na Folha
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