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Senadora Ana Amélia criou fake news de propósito para saciar fundamentalistas

A insensatez dosada a níveis extremos tem se provado arma útil para fazer a sociedade de tola e esconder o real discurso de quem vive de manusear a burrice coletiva.
A senadora Ana Amélia, levada à ribalta do ridículo público, não confundiu Al Jazeera com Al Qaeda tampouco acredita em convocação de extremistas pela líder petista Gleisi Hoffmann. Ela tem conhecimento suficiente para distinguir terrorismo de jornalismo.
O expediente de ignorância prestado pela parlamentar é, na verdade, sequência de um jogo de interesse das forças retrógradas movido por apologia à idiotice e comprometido com a distorção dos fatos através de ataques, factóides e atos contínuos de irresponsabilidade.
Cenário, convenhamos, convalidado pela indigência dos mecanismos de controle do estado e pela cegueira da mídia, ambos embrutecidos por um antipetismo sem fim.
A associação fajuta da entrevista com o fundamentalismo seria apenas chorume mental não fosse a incessante indústria de fake news usada para desqualificar o pensamento progressista, criminalizar a esquerda e fazer simplificação rasteira de questões sociais complexas.
A ficha falsa de Dilma “terrorista”, os dólares de Cuba ao PT, a ferrari e a friboi do filho de Lula, o risco de “venezuelização” do país, as mentiras sobre Marielle – do MBL a uma desembargadora – engordam a lista infindável de arbitrariedades recentes contra as quais jamais se insurgem autoridades e imprensa, para deleite da direita e dos bolsominions.
A declaração estapafúrdia de Ana Amélia recebeu, pelo contrário, atenção da Procuradoria da República através da abertura de análise prévia (segundo o Estadão) – por sua vez transformada em notícia contra a esquerda – e adubou a parte débil das redes sociais para quem “comunista come criancinha” e “direitos humanos só servem a bandido”.
Não se trata de mero desconhecimento, erro de observação, xenofobia ou preconceito religioso, por si só passíveis de críticas e memes de fazer rolar de rir. É má-fé em estado puro.
A burrice não é acidental: ela tem sido valorizada e usada sob medida para confundir a opinião pública, perpetuar a ignorância coletiva e, assim, salvaguardar uma massa de manobra a serviço do obscurantismo, dos retrocessos e dos sucessivos golpes de estado no Brasil.
A manutenção do poder da elite precisa de Anas Amélias para alimentar a horda de al-oprados, al-esados e al-ienados tão em moda nessas trevas brasileiras da atualidade – todos subjugados por um fundamentalismo onipresente chamado burrice.
- por Tiago Barbosa, Jornal GGN
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