quinta-feira, 17 de maio de 2018

Márcia Tiburi destaca "nova esquerda" e exalta papel da mulher na política


Na noite desta terça-feira, 16, a professora e escritora Márcia Tiburi deu a palestra intitulada "Democracia e fascismo: Desafios e perspectivas para o Brasil" para grande público no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). O evento fazia parte de debate promovido pelo Sindicato dos Servidores do IFCE, Conselho Regional de Serviço Social e Federação dos Trabalhadores Municipais do Ceará.

O auditório principal do Instituto estava lotado. Um telão transmitia a palestra para um auditório menor, que também estava com capacidade máxima de público, com pessoas em pé para assistirem à professora. O público, composto por pessoas de diferentes idades, reagia à fala de Márcia. Ela citou os desafios da democracia no País, onde, para ela, o fascismo e o discurso de ódio estão sendo disseminados de maneira "profissional".

Márcia, que faz parte do grupo de intelectuais que repudia a prisão do ex-presidente Lula, disse que a detenção só aconteceu porque o número de pessoas presentes não era tão grande quanto deveria, levando em conta o alcance da esquerda. Ela definiu a prisão como injusta.

Caso Marielle 

Márcia citou o assassinato da vereadora Marielle Franco, no início de abril, no Rio de Janeiro. Ela aproveitou para falar também do momento de intervenção militar em que o caso ocorreu e de crianças que, segundo ela, são mortos só porque são pretos. Citou ainda a matança de jovens, de mulheres e de pessoas trans.
"Se a gente pensar nisso é muita matança, e tem muita gente contra isso. A maioria das pessoas é caridosa, está muito mais voltada para o amor ao próximo do que para o fascismo. As pessoas que estão do lado do fascismo fazem muito mais barulho na TV e nas redes sociais, porque estão organizados e são profissionais. Enquanto isso, a esquerda conta com seus míseros salários, com a parceria com amigos, com atos de generosidade das pessoas. E é isso que nos move."

"Temos que perder a vergonha de sermos pobres, negros, pardos mulheres, trans, gays, lésbica... Temos que parar, temos que perder essa vergonha. Imagina, gente, se Michel Temer não tem vergonha de ser quem ele é, porque é que nós vamos ter?" disse Márcia, ao que foi aplaudida pelos presentes.

"Essa vergonha nos faz acreditar que estamos bem do jeito que está. Se a gente fizer mais alarde, a gente vai começar a aparecer, se a gente começar a aparecer vamos ser responsabilizados, culpados, e vamos ter que pagar a conta. Essa vergonha acaba atrapalhando a nossa luta", concluiu ela.

Causa feminista 

A professora também citou um planejamento de criação de um partido feminista que acabou não saindo do papel, mas que agora o movimento tem se aproximado do PT, e ela afirma que pretende transformá-lo num partido feminista. 

Destacou o envolvimento feminino na política, citando a obra de Simone de Beauvoir (escritora, feminista e ativista política) para incentivar o público à pensar o feminismo e a juntar mais pessoas para fazer o mesmo. Segundo ela, era necessária uma renovação no Congresso Nacional para se obter a democracia. Para isso, ela destacou a necessidade da presença feminina na política.

Márcia concluiu a palestra sob aplausos, depois autografou livros dos presentes.

- no jornal O Povo

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