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COPA DO MUNDO NA RÚSSIA IMPULSIONA GOLS DE BOLA PARADA


Uma partida de futebol pode ser dividida em cinco fases. Ataque, defesa, transição ofensiva e transição defensiva compõem as quatro primeiras e mais apreciadas. Contudo, é a quinta que tem roubado a cena na Copa do Mundo da Rússia: a bola parada. Ao longo de toda a 1ª fase, foram 52 dos 122 gols foram oriundos deste tipo de jogada. Para que seja validado como lance de bola parada, a redonda precisa ir ao fundo das redes tendo até três toques depois do primeiro movimento. 

Esta estatística, porém, fica ainda mais significativa se contarmos só a primeira rodada. Dos 38 gols marcados, 22 foram provenientes da bola parada, totalizando 57%, contra 42% da 1ª fase, de acordo com a conta do jornalista e analista de desempenho Leonardo Miranda, colunista do Globoesporte.com. “É um percentual alto, muito acima das principais ligas de futebol no mundo. Um indício de como o esporte está fechado. Mesmo assim, a média de gols foi muito alta, chegando a 2,57. Defesas fechadas não são sinônimos de retrancas”, aponta em entrevista ao O POVO.

A evolução do futebol, por sua vez, obriga às equipes a estarem sempre se reinventando em todas as fases de um jogo com 90 minutos. Com a bola parada não é diferente. O jornalista destaca ainda a evolução do futebol para explicar o aumento de gols gerados a partir do recurso na Copa da Rússia.
“A Alemanha foi campeã em 2014 e sequer passou da fase de grupos em 2018”, lembra Miranda. “Com a evolução física do futebol, os jogadores passaram a correr mais. Com isso, as defesas e ataques ficaram mais preenchidos, com menos espaços. A bola parada representa um momento estratégico do jogo, onde se pode pensar em maneiras mais complexas de abrir espaços”, analisa.

Esse ‘momento estratégico’ citado pelo repórter, que também está cobrindo o Mundial pela Revista Época, é um ponto de extrema importância para o treinador da Inglaterra, Gareth Southgate. O time inglês marcou cinco dos seus oito gols saindo de bola parada. Isso porque o quarto tento do English Team na vitória de 6 a 1 sobre o Panamá, em uma jogada trabalhada vindo de uma cobrança de falta, acabou passando dos três toques e só foi concluída em um rebote. Em entrevista coletiva, o treinador apontou que contar com alguém que dê relevância ao assunto ajuda na hora de se preparar.

“De todos, Allan é quem passa mais tempo nas jogadas de bola parada”, comentou Southgate, ligando o sucesso inglês na fase ao nome de Allan Russell, treinador ofensivo da seleção. “Identificamos ela [bola parada] como recurso chave para vencer jogos e sentimos que poderíamos melhorar as execuções, até por que não importa o quanto você controle ataque e defesa; bola parada é extremamente importante”, disse. 
Apenas quatro seleções não fizeram gols de bola parada na Copa da Rússia

Argentina, Peru, Dinamarca e Senegal não foram às redes em jogadas provenientes de bola parada até aqui no Mundial. Desses, dois estão eliminados (Peru e Senegal) e, do restante, só Dinamarca não passou sufoco para conquistar o avanço. As classificações suadas e eliminações não são justificadas pela falta de eficiência no recurso, mas o dado mostra a relevância que o assunto tem para o futebol apresentado no torneio.

No caso da seleção brasileira, apenas um gol foi marcado utilizando a ferramenta – o de Thiago Silva na vitória sobre a Sérvia. Contudo, dos seis gols sofridos na ‘Era Tite’, cinco foram em jogadas de bola parada, incluindo o da Suíça no empate da primeira rodada da fase de grupos.

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