FESTIVAL DA SARDINHA PROMOVE GASTRONOMIA E ARTE EM CASCAVEL

Quando a vela da embarcação aponta no mar é certo que, em pouco tempo, haverá peixe. E assim acontece. As jangadas vão chegando à terra firme, na Praia da Caponga, em Cascavel, e, com a naturalidade de quem sabe o que faz, cada pescador vai assumindo um papel. Tem quem tire o pescado da rede, há também aquele que fica responsável pelo tratamento dos peixes, seja descamando ou cortando fora as cabeças. Aos poucos, apresentam-se amontoadas, num cantinho da jangada, aquelas que são protagonistas do lugar - pelo menos nesta época do ano: as sardinhas.
Um pescador experiente, tanto que nem se lembra de quando começou a viver do mar, aproxima-se para a conversa. Em pouco tempo de prosa, já chega a uma constatação que ecoa por todo litoral cascavelense: "a sardinha antes nem valia. A gente pegava ela pra pegar o outro peixe, ela servia de isca. Agora o pessoal come e tá mais valorizada", avalia Francisco Monteiro.

Boa parte dessa história de ascensão do peixe, que passou de isca a elemento típico da culinária local, deve-se ao surgimento do "Festival da Sardinha: Gastronomia e Arte do Litoral Cearense, lançado há 11 anos. O evento, que hoje inclui diferentes praias do litoral cearense, começou quando Mamede Rebouças, atual coordenador da festa, decidiu criar uma atração para levar visitantes às praias cascavelenses, além de potencializar as vivências da comunidade local. "O festival da sardinha nasceu para trazer visibilidade para a praia e sustentabilidade", pontua Mamede.

O evento vem crescendo de forma surpreendente, com atividades que vão além da culinária. A programação traz seminário, concurso de pesca e a apresentações culturais. Para os estudantes de escolas de Cascavel, há também o concurso de desenho. Baseados no tema da edição, que este ano é a "Cultura praiana do litoral cascavelense", as crianças desenvolvem suas artes.

Concurso de culinária

Quando escolhidas, as ilustrações são estampadas nas velas das jangadas participantes da regata dos pescadores, realizada sempre no último dia de programação. Além disso, acontece o concurso de culinária para chefs de cozinha da região. O desafio é produzir um prato criativo e saboroso para conquistar o paladar do público. Os 15 estandes que compõem o evento apresentam duas sugestões. As 30 diferentes maneiras de preparar a sardinha concorrem entre si antes da abertura do festival. Dessa etapa, saem quatro finalistas, e o vencedor é anunciado durante a festa.
Anália Ferreira é chef de cozinha e entusiasta da culinária, mas só há quatro anos ela se aventurou a tratar a sardinha como uma nova possibilidade, despertada no Festival. O pouco tempo de experiência com o peixe, porém, não é proporcional ao êxito já alcançado. Em 2017, na 10ª edição, ela elaborou o filé de sardinha à milanesa com molho ceviche, campeão do concurso. O sucesso reverberou: "foi muito pedido, gostaram bastante. Eu fiz do mesmo jeito, só que neste ano eu botei um purê de batata doce", explica.

O peixe derrete na boca e combina com os acompanhamentos. As espinhas são imperceptíveis. "Tem gente que diz 'isso aqui é filé de outra coisa, cadê as espinhas?', mas quando é cozido na panela de pressão por 45 minutos, não tem como não desmanchar", diz Anália, revelando um dos segredos do prato campeão.

Enquanto uns usufruem dos louros da vitória, há quem esteja na expectativa para alcançar o primeiro lugar do pódio no concurso de 2018. O chef de cozinha Victor Ramos é um dos quatro finalistas na 11ª edição do Festival da Sardinha. Na "Cestinha Sertaneja", ele preparou uma massa de tapioca que pode ser usada como colher. A mistura é inusitada e bem-vinda. O paladar recebe bem a diferença de texturas que existe entre o creme que recheia a tapioca e a casquinha formada por ela. "A tapioca é uma comida que a gente já tem costume, uma coisa bem legal, e eu queria colocar isso na culinária da sardinha". Normalmente, o chef costuma trabalhar com pizza. A primeira experiência com esse peixe veio no ano passado, quando Victor participou do evento pela primeira vez. "Eu nunca tinha experimentado esse estilo. Foi muito show. Eu não tenho costume de trabalhar com sardinha, mas quando eu fiz, me apaixonei logo".

Experiências

Além dos estandes em que ficam os pratos participantes do concurso, durante o Festival o visitante também pode conferir o menu do restaurante Sardinha Gourmet, no qual é possível ter outros tipos de experiência gastronômica, combinando os pratos com cervejas artesanais e vinhos, por exemplo. Uma das opções para quem faz essa escolha é a Sardinha Al Mare, preparada pela cozinheira Fernanda Mendes. O prato é feito com o peixe cozido adicionado a um molho que leva ingredientes como creme de leite, azeite de dendê e leite de coco, arrematado com camarões.
Quinta-feira (06/12): 
18h: Arena Gastronômica e Arena Cascavel Empreendedor 
19h: Miguelzinho do Acordeon 
21h: Ítalo e Renno 

PROGRAMAÇÃO: 

Sexta-feira (07/12): 
18h: Arena Gastronômica e Arena Cascavel Empreendedor 
20h: Claudio e Betânia 
22h: Jorge Vercillo 
00h: Namoro Novo 

Sábado (08/12): 
18h: Arena Gastronômica e Arena Cascavel Empreendedor 
20h: Benjamim Torres 
22h: Ricardo Maia 
00h: Felipão 

Domingo (09/12): 
09h: Regata Cultural 
10h: Los Kakos 
12h: Carlinhos Nação 
14h: Edu Ribeiro 

SERVIÇO
11º Festival da Sardinha: Gastronomia e Arte no Litoral Cearense
De 06 a 09 de dezembro napraia da Caponga – Cascavel/CE 
Entrada: 1 kg de alimento

(No Diário do Nordeste)
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