BEATO JOSÉ LOURENÇO HOMENAGEADO EM MISSA

A seca de 1932 é lembrada, tanto na literatura como na oralidade, como uma das mais perversas que castigou o Nordeste no início do século XX. Foi esse fenômeno de escassez de água e alimento que impulsionou o crescimento do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, comunidade localizada em Crato, que possuía organização social autossustentável baseada nos princípios cristãos de oração, trabalho e partilha dos bens produzidos. Seu líder e fundador, o beato José Lourenço Gomes da Silva, completou  73 anos de falecimento nesta terça-feira (12).

Para lembrar a data, a ONG Beato José Lourenço realiza uma tradicional missa em ação de graças pelo líder religioso, que morreu em Exu, Pernambuco, no dia 12 de fevereiro 1946. A celebração acontecerá às 17 horas, na Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Juazeiro do Norte.

Após o ato religioso, 20 personalidades foram homenageadas por sua efetiva contribuição para a difusão e preservação da memória do Caldeirão e do patrimônio histórico-cultural da região do Cariri cearense.

O que foi o Caldeirão? 

Localizada a 33 km da sede do Município de Crato, o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto fica entre os distritos de Monte Alverne e Dom Quintino. Lá, foi abrigo de centenas de flagelados da seca, devotos do Padre Cícero, que encontraram na comunidade alimentação, trabalho e refúgio espiritual. Sob a liderança do beato José Lourenço, cerca de 1.700 pessoas moraram ali, dividindo tarefas, fabricando instrumentos de trabalho, roupas e produzindo alimento.

Fartura, riqueza espiritual e abundância de comida. Com o passar dos anos, a experiência ali vivida foi tendo sucesso e atraindo ainda mais pessoas. Haviam oficinas fiação, tecelagem, costura, casa de farinha, ferreiro, engenho de cana e marcenaria.

Temendo que a comunidade se tornasse um movimento messiânico, o Governo Federal, em 1937, ordenou que as Forças Armadas e a Polícia Militar do Ceará invadissem o local e expulsassem os moradores. Alguns foram mortos e os sobreviventes vagaram pela região ou retornaram para suas terras. Até hoje, muitos corpos não foram encontrados e não há nenhum registro oficial do número exato de vítimas.

O beato José Lourenço conseguiu fugir e se estabeleceu no Sítio União, em Exu, no Pernambuco, onde morreu por causa da peste bubônica. Seu corpo foi levado por fiéis para Juazeiro do Norte, onde sua missa de corpo presente seria celebrada. No entanto, o vigário da época, o monsenhor Juviniano Barreto, não permitiu que o caixão sequer entrasse na Capela de São Miguel. O cortejo fúnebre seguiu debaixo de chuva e o velório aconteceu na casa de um de seus afilhados. De lá, foi sepultado no Cemitério do Socorro – ao lado do túmulo do Padre Cícero, seu amigo.
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