CARIRI - UMA DAS REGIÕES QUE MAIS REGISTRAM VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Mais um feminicídio foi registrado no Cariri. Mais um caso de vítima de estupro de vulnerável veio à tona. Enquanto isso, incontáveis outras mulheres foram vítimas de violência, praticada em sua maioria por ex-companheiros, cônjuges e familiares. Terror psicológico, agressões verbais e físicas - uma realidade horrenda que, infelizmente, se repete, colocando o Cariri em um ranking vergonhoso: uma das regiões que mais registram violência contra as mulheres em todo o Brasil. Em nível estadual, o terror se repete: o Ceará é o terceiro estado mais violento com as mulheres. Até quando?

Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, mais precisamente em 8 de março, o Jornal do Cariri une sua voz à de mulheres por todo o mundo, para pedir o fim da violência, que engloba a misoginia, o machismo e tantas outras que apodrecem a nossa sociedade. Até quando noticiaremos agressões e assassinatos cometidos por homens contra suas ex-companheiras? O que passa pela mente de quem acredita ter a posse de namoradas e esposas? Por que não aceitam o término e seguem com suas vidas, deixando que as mulheres sigam com as delas?

O feminicídio causa, além da morte das vítimas, o desaparelhamento de famílias inteiras. No caso mais recente, Francisco Tavares, pai de Geane Tavares, morta a tiros na quinta-feira (28), em frente à Prefeitura de Crato, lamentou a morte da filha. Na noite de quinta, ele a viu caída de bruços, imóvel, sem vida, vítima não somente do ex-marido, mas de uma sociedade machista, que tira direitos e subjuga mulheres.

Estudos como o apresentado pelo Segundo Caderno do Observatório da Violência no Cariri, da Universidade Regional do Cariri (Urca), de 2018, apontam que mais de quatro mil ocorrências foram registradas nas Delegacias de Defesa da Mulher de Crato e Juazeiro, em 2016 e 2017. O estudo, último divulgado pelo Observatório, aponta que, em 2016, Juazeiro apresentou taxa de 10,18 vítimas de violência para cada mil mulheres e Crato 14,18 notificações para cada mil mulheres. Em 2017, a taxa em ambas as cidades foi de 12,9 casos.

No Cariri, a atuação da Frente de Mulheres de Movimentos do Cariri integra pessoas que lutam contra o patriarcado imposto na construção da sociedade. Equipamentos que construam uma rede de acolhimento eficaz fazem parte das demandas apresentadas, que ainda não são totalmente atendidas.

São pequenos avanços que fazem a diferença. No Carnaval deste ano, pela primeira vez na história do Brasil, os direitos das mulheres foram reforçados com a Lei 13.718, que prevê pena entre um e cinco anos de prisão para quem pratica a importunação sexual. A caminhada é longa, mas a luta continua. O Jornal do Cariri dá voz às mulheres e pede o fim da violência.

Editorial do Jornal do Cariri desta semana
Share on Google Plus

About leiasempre

Leia Sempre

0 comentários:

Postar um comentário