A DEVOÇÃO PATOLÓGICA DE DALLAGNOL A MORO É COMO A DE ROY COHN, ASSISTENTE DE MCCARTHY

Noves fora todas as ilegalidades, há algo de patológico na relação entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol que ficou exposto na divulgação dos diálogos pelo Intercept.
Fica evidente, em primeiro lugar, que Moro era o verdadeiro chefe da operação.
Dallagnol pede orientação para tudo e se alegra em obedecê-lo e louvá-lo.
Em março de 2016, Dallagnol se derrama diante da grandeza do guia genial dos povos.
“Você hoje não é mais apenas um juiz, mas um grande líder brasileiro (ainda que isso não tenha sido buscado). Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal”, afirma.
“Sei que vê isso como uma grande responsabilidade e fico contente porque todos conhecemos sua competência, equilíbrio e dedicação”.
Roga que Moro “assuma mais” a campanha pela aprovação das famosas “10 medidas de combate à corrupção”.
“A sociedade quer mudanças, quer um novo caminho, e espera líderes sérios e reconhecidos que apontem o caminho. Você é o cara”, declara.
“Não é por nós nem pelo caso (embora afete diretamente os resultados do caso), mas pela sociedade e pelo futuro do país”.
A relação de mestre e gafanhoto ou de dominatrix e submisso lembra, na esfera da perseguição jurídica, a parceria entre Joseph McCarthy e Roy Cohn nos EUA dos anos 50.
McCarthy foi o grande inquisidor daquela caça às bruxas, período tenebroso da história americana em que inocentes foram arruinados sob a acusação de ser comunistas ou homossexuais.
Ele era assistido por um Cohn, ambicioso advogado, absolutamente inescrupuloso, jovem devoto do mandachuva.
Como promotor, condenou à cadeira elétrica o casal Ethel e Julius Rosenberg, acusados de revelar segredos de projetos atômicos para a União Soviética.
A dupla alimentou conspirações paranoicas numa nação tomada pelo ódio e pelo fantasma soviético. Num determinado momento, o presidente Eisenhower teve de intervir.
McCarthy foi humilhado numa audiência em 1954 em que o advogado Joseph Welch lhe indagou, diante das câmeras: “O senhor não tem nenhum senso de decência?”
Posto no ostracismo, morreria três anos depois, quebrado e alcoólatra.
Cohn o amava e lamentou seu destino. Seguiu adiante, defendendo mafiosos como a família Gambino e Genovese.
Nos anos 70, representou o jovem Donald Trump num processo. Trump e o pai eram investigados pelo governo por se recusar a alugar apartamentos no Brooklyn para negros.
Dono de um estilo agressivo, gostava do mote “ataque, ataque, ataque”. Nunca deixou de honrar McCarthy, seu mentor, sem o qual não seria ninguém.
Acabou condenado por se apropriar dos bens de um multimilionário que estava à beira da morte.
Cohn entrou no quarto do velho e, segurando sua mão, fez com que ele assinasse um documento lhe transferindo o patrimônio. 
Morreu em 1986, aos 59 anos, em decorrência da Aids. O homem que acossava gays era gay.
Gostava de repetir: “Você quer fazer a lei ou quer estar sujeito a ela? Escolha”.

Qualquer coincidência é mera semelhança.
(no DCM)
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