PEDRO BANDEIRA RECEBE HOJE COMENDA PATATIVA DO ASSARÉ

Nomeado Tesouro Vivo da Cultura do Ceará, em 2018, o repentista Pedro Bandeira, 81, é um dos três agraciados com Comenda Patativa do Assaré. A cerimônia de entrega acontece na próxima terça-feira (04), às 18h30, no Theatro José de Alencar, em Fortaleza. Com “uma banda cearense e outra paraibana”, como se descreve, o cantador nasceu no Sítio Riacho da Boa Vista, em São José de Piranhas (PB), mas se notabilizou no rádio na região do Cariri. Atualmente, mora em Juazeiro do Norte. 

A condecoração é dada a personalidades, artistas, poetas, cantadores e pesquisadores que se destacaram por suas relevantes contribuições à Cultura Popular Tradicional. Além de Pedro, serão agraciados o poeta popular de Assaré, Geraldo Gonçalves, já falecido, e a folclorista Elzenir Colares, de Fortaleza.

O nome dos contemplados foi divulgado na semana passada, com aprovação pelo Conselho Estadual de Política Cultural do Ceará (CEPC). Para a seleção dos agraciados, a Secult abriu ao público uma consulta, feita online.

Os indicados foram avaliados por uma Comissão de Seleção composta por sete membros: três integrantes do Conselho Estadual de Política Cultural do Ceará (CEPC); dois integrantes da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará; um representante da Universidade Regional do Cariri (URCA); e um representante da Fundação Memorial Patativa do Assaré.

Trajetória

Filho de Tobias Pereira de Caldas e da poetisa Maria Bandeira de França, o poeta Pedro Bandeira é neto materno do famoso cantador nordestino, Manoel Galdino Bandeira, de quem herdou o talento de repentista. Aos 6 anos de idade já fazia versos, e aos 17 tornou-se cantador profissional. Também formou-se em Letras, Teologia e Direito. É poeta, repentista, cantador, cordelista, escritor e radialista.
O elo com o Ceará começou desde pequeno e ainda é geográfico. “Nasci lá, mas bebendo água nas cabeceiras dos rios que nascem no Cariri. Minha vida ficou moldada e encarnada no sertão. Sou um menino do sertão”, conta. E foi essa vida no campo que o inspirou na poesia.
Resolveu aprimorar o verso, cantar metrificado e sonorizado. Com o tempo, teve a companhia de vários parceiros como Arrudinha Batista, José Bandeira e José Vicente e Geraldo Amâncio. Sua trajetória na radiofonia começou na Rádio Educadora, em Crato, quando começou a cantar em 1955 e as portas se abriram. “Eu choro, canto e aboio”, descreve.

Missa do Vaqueiro

Foi com no comando do programa de rádio “Viola e violeiros”, um dos mais ouvidos do Nordeste, que ficou conhecido. Por isso, Luiz Gonzaga e o Padre João Câncio o convidaram para ajudar na organização da primeira Missa do Vaqueiro, em Serrita (PE), dedicada à memória do vaqueiro Raimundo Jacó, primo do “Rei do Baião”, que foi brutalmente assassinado.

A primeira celebração reuniu cerca de 2 mil vaqueiros. Já ano passado, a Missa do Vaqueiro chegou a 48ª edição e Pedro permanece participando. “Nunca perdi uma celebração, nem mesmo quando estive doente. Sou tido como o último remanescente dos criadores, responsáveis pela missa”, completa.

A vaquejada sempre fez parte de sua cantoria. O aboio do próprio Raimundo Jacó foi inspiração. Quando as “vaquejadas urbanas”, como ele classifica, se popularizaram, Pedro Bandeira fez seus primeiros versos com o tema e, uma de suas poesias, “Corrida de Mourão”, foi gravada por Luiz Gonzaga e Fagner.

“Falo de pega de boi na caatinga, mas era mais o esporte o galanteio, sobre os vaqueiros que iam correr na pista. Fiz muitos aboios como ‘Vaquejada no Sertão’, ‘Boi na Caatinga’, ‘Boi Bravo’, ‘Boi de Carga’, ‘Boi Carreiro’, e assim por diante”, lista o poeta. São mais de 200 poemas, em livros e discos, gravados sobre vaquejada.
Share on Google Plus

About leiasempre

Leia Sempre

0 comentários:

Postar um comentário