Moro, que abandonou Telegram em 2017, tenta ligar hacker de 2019 a vazamento do Intercept

Em março de 2015, Moro recebe o Prêmio Faz Diferença como Personalidade do Ano (2014) do então diretor de redação do jornal O Globo, Ascânio Seleme, e do vice-presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho


O ministro da Justiça, Sérgio Moro, está trabalhando freneticamente para confundir a opinião pública sem apresentar provas — e antecipando o resultado de uma investigação em andamento da Polícia Federal, que comanda.
Qualquer semelhança com métodos da Lava Jato (acusar primeiro, encontrar provas depois) pode não ser mera coincidência.
O ex-juiz federal já declarou que abandonou o aplicativo Telegram em 2017.
Moro disse que “saiu” do Telegram em 2017. Embora não tenha detalhado se: apenas deixou de usar o serviço; somente deletou o aplicativo do celular; se apagou a conta quando parou de usar o serviço. Considerando o primeiro cenário, a conta de Moro permaneceria ativa (e com as conversas armazenadas nos servidores do Telegram) por no máximo 12 meses, já que a contas do serviço se “autodestroem” após um tempo de inatividade — por padrão é de seis meses, mas pode ser alterado pelo usuário.
Ou seja, pelas próprias declarações de Moro seria prematuro dizer que os supostos hackers de Araraquara teriam recuperado no celular atual do ministro, em 2019, a troca de mensagens entre ele e os procuradores da Operação Lava Jato.
Seria uma impossibilidade física.
No entanto, o ministro escreveu esta tarde no twitter:
Parabenizo a Polícia Federal pela investigação do grupo de hackers, assim como o MPF e a Justiça Federal. Pessoas com antecedentes criminais, envolvidas em várias espécies de crimes. Elas, a fonte de confiança daqueles que divulgaram as supostas mensagens obtidas por crime.
Leandro Demori, do Intercept, respondeu:
Nunca falamos sobre a fonte. Essa acusação de que esses supostos criminosos presos agora são nossa fonte fica por sua conta. Não surpreende vindo de quem não respeita o sistema acusatório e se acha acima do bem e do mal. Em um país sério, o investigado seria você.
Mais tarde, o jornalista Glenn Greenwald registrou a tentativa do ministro Moro de confundir a opinião pública, em uma série de tweets:
Sergio Moro — sendo Sergio Moro — está tentando cinicamente explorar essas prisões para lançar dúvidas sobre a autenticidade do material jornalístico. Mas a evidência que refuta sua tática é muito grande para que isso funcione para qualquer pessoa. Vamos revisá-la:
Primeiro, lembre-se que no dia em que publicamos, nem Moro nem LJ negaram a autenticidade do material. Eles apenas negaram impropriedades. Foi só mais tarde que eles inventaram essa tática, quando perceberam que seus aliados estavam abandonando-os.
Depois, a Folha trabalhou “lado a lado” com a nossa equipe e verificou a autenticidade do arquivo — inclusive comparando os chats dos seus repórteres com os promotores com o original. Como qualquer hacker poderia forjar isso? Obviamente, isso seria impossível.
Depois da investigação da Folha, @Veja fez a mesma coisa, e concluiu a mesma coisa: o material é autêntico, e contém coisas que um hacker nunca conseguiria forjar, inclusive conversas com seu próprios repórteres. Autêntico “palavra por palavra”.
Importante lembrar que, no longo artigo em que analisou a Operação Mãos Limpas, da Itália, o juiz federal Sérgio Moro destacou a importância de vazamentos para a imprensa como forma de colocar pressão sobre investigados e ‘condená-los’ na opinião pública, o que deixa claro que o atual ministro apoia vazamentos, desde que tire proveito deles.
O vazamento que ele próprio arquitetou, da ligação telefônica entre os ex-presidentes Dilma e Lula, foi considerado ilegal pelo ministro do STF Teori Zavascki, mas Moro justificou-se posteriormente dizendo que o foco deveria ser não no vazamento em si, mas no conteúdo da conversa.
Até agora, nem ele nem os procuradores da Lava Jato conseguiram provar que qualquer mensagem tenha sido adulterada. Pelo menos um procurador, no anonimato, disse dispor em seu celular de arquivos demonstrando que ao menos parte das mensagens divulgadas é verídica.
Para além disso, como demonstrou o jornalista Luiz Cláudio Cunha noViomundo, Moro foi no mínimo impreciso e no máximo mentiroso ao comparar o vazamento do Intercept Brasil com vazamentos históricos do New York Times e do Washington Post no país pelo qual demonstra publicamente grande apreço, os Estados Unidos.
Sacado do seu pedestal, o “juiz herói” está cada vez mais mergulhando nos padrões do bolsonarismo.
# no site Viomundo
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