Artigo: "Quando a lei defeca", por Marcos Leonel


                                                                 Jens Galschiot

Por Marcos Leonel, Cidadão do Mundo. 

 Há um provérbio chinês que diz: “Quando um sábio aponta para a lua, o tolo olha para o dedo”. Também existem várias variações que incluem um filósofo no lugar do sábio; estrelas no lugar da lua; e idiota no lugar do tolo.

No entanto, há aqueles, como eu, que acreditam ser esse um ditado puramente brasileiro e altamente de agora, desse instante de euforia merdológica, em que um palhaço caga na boca do desrespeitável público e ele ri e defende o direito de ser tolo, idiota, e cisca, literalmente, feito pinto em merda.

Falo da estratégia “Pega Ladrão!” utilizada pela bandidagem posta no governo, em que o bandido flagrado em pleno delito grita “pega ladrão”, apontando para outro, enquanto arquiteta a própria fuga. Os idiotas, os parvos, os abestados, os imbecis, os patetas, os comedores de merda, com certeza acusarão o “outro”, sem trocadilho.

Esse fenômeno é utilizado por Noam Chomsky, em seu livro “Estados Fracassados – o abuso do poder e o ataque à democracia”, em que ele aborda o envolvimento da justiça, da imprensa e do governo americano, para distrair o povo enquanto se constrói um Estado Bandido. A prioridade em garantir o poder e a riqueza dos setores que dominam o Estado, também está sendo colocada em prática aqui no Brasil, uma latrina americana.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, barrou por mais de 120 dias uma investigação contra o presidente. O fato é que a jurista manobrava interesses para se manter no cargo de chefe de Ministério Público, que termina dia 16 de setembro. A ação barrada pela inoperante procuradora-geral investiga duas assessoras do presidente, funcionárias fantasmas quando ele ainda era deputado federal pelo Rio de Janeiro. Os famosos casos “Wal do açai” e “Nathalia Queiroz”, essa é filha de outro famoso: Fabrício Queiroz, bandido de extimação oficial.

Essa mesma funcionária do judiciário prorrogou por mais um ano as ações da Vaza-Jato. Mesmo com todo o envolvimento sinistro de Moro com procuradores e juízes, o mesmo que fez tratativas com o presidente para, em troca da condenação de Lula e garantia total do ex-presidente não participar das últimas eleições, se tornar ministro da justiça, o que se tornou verdade para felicidade de toda a família no terreiro.

Ainda na instância superior (?): O presidente do STF, Dias Toffoli, o mesmo que tentou impedir entrevistas de Lula e depois tentou impedir sua saída para o velório do irmão, depois que o juíz Leandro Paulsen, e a juíza Carolina Lebbos, - a mesma que determinou a transferência de Lula para um presídio comum - terem negado em instâncias inferiores o recurso da defesa do ex-presidente, concedeu uma entrevista muito reveladora para a revista Veja.

Na entrevista, Toffoli abordou a crise institucional de abril a maio deste ano e explicou seu método “legal” para controlar a situação. Além de adiar o julgamento da constitucionalidade da prisão em segunda instância, que poderia soltar o ex-presidente Lula, ele concedeu uma liminar que paralisou as investigações sobre o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, para abafar a crise em cima do governo.

Para os idiotas, os parvos, os abestados, os imbecis, os patetas, os comedores de merda, com certeza o que importa é que Lula está preso; os vazamentos da Lava-Jato são criminosos, não pelo conteúdo, mas pela ação fantasiosa dos “hackers”; que é absolutamente normal um pai indicar um filho para embaixador nos Estados Unidos; que a terra sempre foi plana, que ela é redonda por invenção da ciência; e que cagar dia sim e dia não é mindset da preservação ambiental.   

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