Artigo: A TIRANIA DA MENTIRA, por Marcos Leonel


Para Nietzsche, em seu livro: "Sobre a verdade e a mentira no sentido extra-moral",  existem escolhas arbitrárias do homem sobre a mentira e a verdade, sendo que o que o homem não suporta é o prejuízo, seja com a verdade ou com a mentira. Para ele o homem mente em rebanho, mente por convenção, mente para manter o poder. A presença do rebanho, o estado coletivo de imbecilização, é fundamental para o estabelecimento de uma mentira depravada se tornar verdade. Para Bauman, em seu livro: “Vida em fragmentos”, com o poder de escolhas arbitrárias vem a responsabilidade, se a escolha é inevitável a responsabilidade é incontornável.

No contexto das escolhas e da supremacia da mentira como forma de impor um Estado fora-da-lei, o filósofo português Diogo Sardinha vê o Brasil como sendo uma fonte inesgotável de reflexões sobre a fragilidade da democracia e a falência da representatividade pública. Vale ressaltar que o desgoverno brasileiro é um pastiche da bandidagem americana e que não é preciso ser filósofo para entender que o Estado arbitrário em que foi transformado o Brasil é uma questão de anuência de boa parte da sociedade. O que falta ser estudado é como um patife racista, emporcalhado de preconceitos sociais, estando a serviço da minoria da elite branca e desonestamente rica, teve o respaldo da maioria de pobres, negros, homossexuais e mulheres, sistematicamente degradados por um discurso de exceção e de aniquilamento.

O silêncio social, inclusive da oposição de esquerda que patina e esbraveja em carros alegóricos nas redes sociais, diante da postura imoral e antiética da canalhada no poder, caracteriza o endosso de uma população que acredita firmemente que a constituição deve ser rasgada, que o crime compensa e que ela, a sociedade, não tem nenhum compromisso com ela mesma, uma vez que ela ainda será recompensada, de uma forma ou de outra, por um crime qualquer de lesa pátria. Mesmo que isso não venha a acontecer, - e claro que não haverá nenhuma compensação para pobres, negros, homossexuais, religiosos secularistas, trabalhadores idiotizados e mulheres machistas – o povo brasileiro que votou e defende essa coisa, se sentirá muito bem sendo apenas o reflexo da maldade no poder. Isso apazigua o complexo de inferioridade, bem como a síndrome de vira-lata.

Um dos últimos protagonismos desgovernamentais, em que o trabalho científico do Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – foi questionado publicamente e oficialmente, por divulgar a verdade sobre o aumento do desmatamento da floresta amazônica, demonstra mais uma vez que tipo de horda foi alçada ao poder, bem como que tipo de prejuízos diretos afetarão a própria sociedade, que deu o aval para que a mentira e a descompostura criminosa pudessem administrar o País. Também não é preciso ser nenhum filósofo para entender que por trás dessa palhaçada oficial está a tentativa de esconder um Estado fora-da-lei e antiambientalista, que age a serviço das grandes corporações mineradoras e de um agronegócio sem limites, bem como favorável à bandidagem de posseiros, grileiros, madeireiros e garimpeiros ilegais.

Mais de 1 mil km² de floresta amazônica foram devastados só na primeira quinzena de julho deste ano. O número representa um aumento de 68% em relação a julho de 2018. Essa verdade foi o motivo da demissão do diretor do Inpe, Ricardo Galvão, e sua equipe. Para um grande mentiroso, Galvão é um “mau” brasileiro, que trabalha para deteriorar a “imagem” do Brasil “lá fora”, usando apenas a verdade. Sendo assim, resta saber de você, que defende tudo isso, vestido com a camisa da “seleção brasileira” e que se comporta como uma torcida organizada bestial, o quanto que você mente e se existe alguma parte em você, monossilábica, que sente quando você mente.

Marcos Leonel é Cidadão do Mundo

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