Luís Nassif: Diogo Castor de Mattos, o procurador metido em ilicitude e polêmica, mas protegido pela Lava Jato

A nova rodada de conversas de Telegram divulgadas pelo Intercept Brasil nesta segunda (26), incluindo áudios de alguns membros da força-tarefa da Lava Jato, mostra que Diogo Castor de Mattos foi protegido pela equipe de Deltan Dallagnol mesmo tendo se metido em polêmica e uma ilicitude que mais recentemente custou seu lugar na operação.

Diogo, como o GGN expôs na série “Xadrez”, em 2017, é irmão do advogado Rodrigo Castor de Mattos, defensor dos delatores João Santana e Mônica Moura. O conflito de interesses, agora revela o dossiê do Intercept, incomodava, sim, procuradores da Lava Jato, que opinaram pela saída de Diogo da operação.

Mas para o então procurador Carlos Fernando dos Santos Lima e o próprio Dallagnol, a força-tarefa não poderia dar o “braço a torcer” para a crítica e afastar Diogo.
Ele só saiu da operação depois que apresentou um atestado médico alegando estafa mental, intelectual e física por trabalhar por 5 anos na Lava Jato. Mas, agora, o Intercept revela que por trás dessa desculpa, Diogo carregava consigo a culpa por ter bancado do próprio bolso um outdoor alojado ao lado do aeroporto de Curitiba.
A peça, que leva a foto dos procuradores que mais aparecem na mídia, foi objeto de ação na Justiça por ferir o princípio da impessoalidade do Ministério Público Federal. O caso foi parar na Corregedoria do órgão, e as conversas de Telegram mostram que o corregedor-geral Oswaldo Barbosa deu o caso por encerrado porque acreditava cegamente na inocência da Lava Jato. Antes mesmo de investigar, ele indicou que decretaria que nenhum membro da força-tarefa era responsável pelo outdoor.
A verdade só veio à tona porque o próprio Diogo enviou um ofício ao corregedor-geral admitindo a culpa pela peça ilícita.
Nos chats do Telegram, procuradores avaliaram que o feito de Diogo, sem comunicar aos colegas, foi uma “traição” que deveria lhe custar o afastamento definitivo.
O entendimento não era unânime, assim como não foi em relação ao irmão advogado de Diogo.
Uma parcela dos procuradores achou que o melhor era “preservar” a Lava Jato, alegando publicamente que o motivo do afastamento era exclusivamente por conta da saúde.
Afinal, foi o atestado que Diogo apresentou à Corregedoria que o salvou de punições. A desculpa até respingou, segundo as conversas, em outras ações contra o então procurador no Conselho Nacional do Ministério Público – ele responde por duas: uma por ter chamado ministros do Supremo de “turma do abafa”, e outra por causa do acordão de R$ 2,5 bilhões entre a Jato Jato e a Petrobras.
Em uma das mensagens divulgadas pelo Intercept, fica claro que Deltan Dallagnol articulou em favor de Diogo junto aos órgãos correicionais.
Em 5 de abril de 2019, ele postou: “Resumo da conversa com corregedor: 1. Foi bem sensível à questão de o colega estar sob tratamento 2. Disse que nesse tipo de situação ele instaura uma sindicância não disciplinar, submete a pessoa a junta médica, e a depender do resultado pode entender pela inimputabilidade para o fato (e inclusive para o outro fato em que ele falou “turma do abafa”) 3. Pediu pra eu fazer ofício (o feito acima) e ele suspenderia apuração e mandaria ofício pro CNMP pra suspender tb a apuração da turma do abafa, tudo com sigilo 4. Disse que pessoas que estão com dificuldades de saúde devem compreender e perceber que a Instituição não é algoz, mas se sentir acolhidas em momento difícil. Em outros casos isso aconteceu e a pessoa voltou a prestar bom serviço público. 5. Disse que topa receber ele em floripa.”
Em relação ao afastamento por ser irmão de advogado de delator, o Intercept divulgou mensagem da procuradora Janice Ascari, que escreveu: “Pode ser injusto com Diogo, mas se o irmão dele foi constituído em um dos casos ele tem que se afastar. Não há como não considerar a Lava Jato como uma única massa de feitos, e como bem lembrou o Adônis, é exatamente esse argumento que a FT vem utilizando para manter tudo sob o guarda chuva de Curitiba. Lamento que só se tenha falado nisso depois de o fato ser amplamente divulgado.”
Santos Lima – que hoje também está afastado do MPF, para ser advogado especializado em compliance – rebateu diretamente para Dallagnol: “Mande todos para o PQP. É preciso estancar a questão. E não vamos dar o braço a torcer pedindo para o Diogo sair. Creio que é possível pedir o impedimento do advogado.”
No jornal GGN, de Luís Nassif
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