A lição de moral do senador Contarato nos que se dizem defensores da família


O senador Fabiano Contarato (Rede-ES), para mim, um dos melhores senadores da atual legislatura emocionou quando se dirigiu a Augusto Aras indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) para a Procuradoria-geral da República numa sabatina que se deu hoje, 25,  no senado.

Fabiano Contarato disse olhando para o procurador:

“Eu sou delegado de polícia há 27 anos, eu sou professor de direito há 20 e estou como senador da República. Eu tenho muito orgulho da minha família. Eu tenho um filho”, disse Contarato. “O sr. não reconhece a minha família como família? Eu tenho subfamília? Porque essa carta diz isso, sr. procurador. Diz mais. Estabelece cura gay. Eu sou doente, sr. procurador?”, indagou o senador.

Hoje, quando vejo um Senador da República, com um currículo invejável, pai e marido, gay assumido, fazer um relato desse porque o provável Procurador –geral da República  assinou carta "de teses e princípios" da Associação Nacional dos Juristas Evangélicos (Anajure) que, entre seus itens, diz que o casamento só existe em relação monogâmica heterossexual e que a chamada "cura gay" (chamada na carta de "tratamento de reversão sexual") pode ser promovida.

Então, o mundo piorou e muito.

Contarato pergunta, vamos repetir: Eu tenho muito orgulho da minha família. Eu tenho um filho” (.....) “O sr. não reconhece a minha família como família? Eu tenho subfamília? Porque essa carta diz isso, sr. procurador. Diz mais. Estabelece cura gay. Eu sou doente, sr. procurador?”.

Já se foi o tempo no Brasil e no mundo em que a comunidade religiosa evangélica nos dava Bíblias de presente para a gente ler. Na minha casa, quando menino, lembro das várias vezes que fui presenteado com livros e Bíblias para ler e firmar a minha fé.

Tenho fé em Deus, acredito na Bíblia e não gosto sequer de piadas que se refira a Deus e santos católicos ou qualquer símbolo religioso. A fé é a expressão das coisas que não se veem e é um ato pessoal intransferível.
Ninguém nunca e em lugar algum ou por desejo algum terá fé por você ou vai lhe salvar. A Bíblia é clara pois somente você se salva, ninguém faz isso por você.

Portanto creio e tenho fé. Mas, repito tenha saudade dos evangélicos brasileiros que nos davam Bíblias.

O que mais me entristece não foi o fato do Augusto Aras assinar, mas quem pediu para ele assinar, quem elaborou esse documento, um grupo de juristas evangélicos.

Uma turma que deveria promover a paz, a união das pessoas, combater o ódio que se espalha nas Fake News que o Judiciário brasileiro nada faz para coibir, que deveriam estar promovendo a Palavra de Deus sem discriminar, sem querer poder, sem querer misturar religião com poder, coisa perigosa, basta ver e ler a história da humanidade.

A Parábola diz o seguinte:
«Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que deviam orar sempre e nunca desanimar, dizendo: Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus e nem respeitava os homens. Havia também naquela mesma cidade uma viúva que vinha constantemente ter com ele, dizendo: Defende-me do meu adversário. Ele por algum tempo não a queria atender; mas depois disse consigo: Se bem que eu não tema a Deus nem respeite os homens; todavia como esta viúva me incomoda, julgarei a sua causa, para que ela não continue a molestar-me com as suas visitas. Ouvi, acrescentou o Senhor, o que disse este juiz injusto. Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora seja demorado em defendê-los? Digo-vos que bem depressa lhes fará justiça. Contudo quando vier o Filho do homem, achará, porventura, fé na terra?» (Lucas 18:1-8)

Um juiz (ou um operador do direito, da Justiça, um homem público de forma geral) que não defende as pessoas que necessitam, em qualquer situação, por qualquer motivo, não teme à Deus nem respeita os homens, afinal, todos (homens e mulheres) independentemente da situação social, financeira, raça, cor, credo, religião e opção sexual, gênero etc e etc... somos ou não filhos de Deus?

Um grupo que deveria promover a Palavra de Deus e serem bons juízes, ligados na lei, fazendo Justiça e não promovendo o preconceito e ódio contra a comunidade LGBT como tem feito, infelizmente, muitos que dirigem as igrejas neopentecostais, que tem um discurso, infelizmente, preconceituoso e que na vida política brasileira preferiu se assumir ou parecem estar fazendo isso, junto com o extremismo de direita e reacionário mais perigoso do mundo.  
Teremos que ver milhões orando para reavivar a fé dos brasileiros, depois que os brasileiros em massa, como acompanhamos hoje via pesquisas notarem que o projeto político em curso no Brasil é um projeto extremista, excludente, que vai deixar milhões no desemprego e na miséria, sem direitos básicos, um País onde pobre não terá acesso à universidade pública, ao SUS, e a outros direitos que vem sendo tirados com beneplácito das lideranças e de muitos evangélicos.

Quando esse projeto for para o fosso, vai dar errado pois nenhum projeto extremista dá certo, então, o povo vai apontar o dedo para esses “evangélicos” e culpar pelas desgraças que vive e aí, como vai ser depois disso?

O que mais vem assustando muita gente no Brasil é como as igrejas neopentecostais vem se colocando diante da política. São pregadores da violência, da morte dos adversários, daqueles que não são iguais.
Você vai para as redes sociais e quase sempre aquele perfil que estimula o ódio está lá, no perfil, cristão, geralmente tem uma frase da Bíblia que sequer segue pois quem espalha o ódio não pode e nem é Cristão. Não tem como.
Cura Gay, atacar gays ou lésbicas, deter os direitos da comunidade LGBT como faz a bancada evangélica é simplesmente um projeto político, pois a bancada evangélica está todo o tempo, desde que existe votando contra o povo brasileiro.

Diz que defende a família, mas vota numa reforma trabalhista que retira direitos das famílias pobres. Rico não precisa de reforma trabalhista.
Vota na reforma da previdência que vai retirar nossos direitos a aposentadoria. Rico não precisa de aposentadoria.

Vota junto com a bancada chamada da bala, defendendo direito do povo se armar. Deus nunca defenderia, nem Jesus as pessoas se armarem, espalhar ódio, ser preconceituoso.

Com quem Jesus andava?

Pois é amigos e amigas leitores e leitoras. O senador Contarato deu uma verdadeira aula ao Augusto Aras, que depois respondeu, se explicou, foi respeitoso até.

Contarato foi mais humano, humilde e defensor da família do que os juristas que assinaram esse documento.  Ele emocionou pois falou como um pai que sabe que não vive numa subfamília.

Mas, esperamos que o futuro procurador-geral não caia na esparrela de atacar os direitos da comunidade LGBT ou de qualquer outro segmento social, como negros, pobres, favelados, mulheres, crianças pobres e gente da periferia.

Esperamos que o futuro procurador-geral não siga a cartilha de um grupo de juristas evangélicos preocupados apenas com poder, em servir a um Deus que não conhecemos, pois o Deus da Bíblia é antes de tudo um Deus de Amor.

E que Deus tenha piedade de todos nós. Amém.

#Por Tarso Araújo, Cristão e editor do Leia Sempre


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