Criada frente em defesa da soberania do Brasil

Em roda de debates sobre diferentes temas de interesse social, os participantes do seminário “Soberania Nacional e Popular – contra as privatizações”, que ocorreu nesta terça-feira (4) na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), encerraram o evento fortalecendo o coro em torno das pautas da Frente Popular e Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional, lançada nesta quarta-feira (4).
Rita Serrano, coordenadora do Comitê Nacional em Defesa de Empresas Públicas, chamou a atenção para a importância da valorização dos bancos públicos, que hoje estão na agenda de privatizações do governo Bolsonaro, liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Ela assinalou que, caso essas empresas sejam vendidas, o Brasil estará fora da rota que tem sido traçada pelo restante do mundo.
“Os Estados Unidos, país mais liberal do mundo, têm 7 mil estatais, por exemplo. Entre as dez maiores empresas do mundo em ativos, seis são estatais deles, da China e de países da Europa. Além disso, cerca de 800 serviços no mundo foram reestatizados nos últimos tempos porque eles tinham piorado com a privatização. A saúde na Inglaterra, por exemplo, é pública, mas aqui eles querem dizer que, pra nós, o modelo ideal é o privado”, criticou.
“Casa da Moeda e Correios, por exemplo, foram criados há mais de 300 anos. Junto com o Banco do Brasil e a Caixa, eles são as empresas mais antigas do país. Elas e as demais não pertencem a este governo, nem aos anteriores, nem ao próximo. Elas são do povo brasileiro, portanto, o povo é que tem que decidir os rumos do país”, acrescentou a dirigente, pedindo uma atuação nacional e popular em defesa das estatais.
Nesse sentido, o diplomata e ex-ministro da Defesa Celso Amorim lembrou o papel da soberania popular e contrapôs o conceito de “soberania” que tem sido utilizado pelo atual governo.
“Estão usando esse termo com o objetivo de justificar ações totalmente absurdas. A soberania tem duas faces, que são interpendentes. Uma é externa, marcada pela defesa do interesse nacional face às ameaças externas, como a defesa das riquezas, da inteligência nacional, da cultura, da capacidade de nos relacionarmos com que quisermos. A outra, uma face interna, que é a soberania popular. Isso não é a vontade do soberano, como era no passado. Não vivemos mais na época das monarquias. Não há como falar em soberania verdadeira se não se falar também em democracia”, ressaltou.  
A declaração do ex-ministro se alinha com diversas pautas do campo popular, como é o caso dos direitos territoriais de indígenas e quilombolas, também lembrados pelo evento, com destaque para a situação das comunidades que hoje estão na mira do governo por conta do acordo que envolve a Base de Alcântara, no Maranhão.
“Existem mais de 800 famílias de 30 comunidades que devem ser expulsas, conforme já afirmou o atual Ministério da Defesa, caso o acordo seja ratificado pelo Congresso. Defender a soberania nacional, nesse caso, é também defender a vida das comunidades que estão na região. Se não for assim, vamos caminhar para um cenário de completo genocídio da população negra que habita o litoral do município”, afirmou Danilo Serejo, do Movimento dos Atingidos pela Base Especial de Alcântara (MABE), destacando que a população local não foi ouvida a respeito do acordo.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão da CNBB, reforçou a preocupação com a paralisação das demarcações de terra e o discurso de ódio do governo e aliados contra os povos.  
“O governo Bolsonaro é ultraneoliberal e trabalha na perspectiva de privatizar tudo o que é publico. Isso também se volta contra as terras indígenas, num discurso violento e mentiroso contra as demarcações, inclusive atacando esse direito, como se a efetivação dele agredisse a soberania nacional. Isso faz eco aos interesses internacionais e é um discurso antipatriota e que vai de encontro à Constituição Federal”, disse Buzzatto.
O ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobras Guilherme Estrella, considerado o “pai do pré-sal”, ressaltou a importância de defesa da estatal como uma construção dos trabalhadores.  
“Ela foi fundada do chão mesmo, pelo povo. Foi a partir disso que se construiu uma empresa que tem mão de obra muito especializada e que é intensiva em termos de treinamento, pesquisa em geociências e engenharia. O povo brasileiro investiu bilhões e bilhões de dólares pra isso e por isso nós conseguimos chegar a uma área de produção onde o país não era considerado atrativo”, completou.
Horizonte
Como desdobramento do evento desta quarta, as entidades e lideranças envolvidas na Frente Popular e Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional já articulam um calendário de ações para divulgar as pautas que envolvem o movimento.
A composição de forças de diferentes matizes políticas que se aglutinam em torno da iniciativa é apontada pelos participantes do seminário desta quarta como o combustível necessário à continuidade da luta popular no Brasil.
“Nosso compromisso aqui é o de não perdermos a esperança”, ressaltou Anita Wright, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic).
# no site Brasil de Fato
Edição: Rodrigo Chagas
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