Mostra Sesc: espetáculo ‘Alegria de Náufragos’, um looping do que poderia ter sido

Em cartaz na Mostra Sesc 2019, o espetáculo “Alegria de Náufragos” tem sua última apresentação da temporada no Cariri em Nova Olinda, no Teatro Violeta Arraes, às 19h desta segunda (11). A classificação é livre e a entrada para as peças do evento custam dois quilos de alimento.
Numa montagem feita pelo Coletivo Teatral Ser Tão Teatro, de Campina Grande (PB), e direção de César Ferrario e Giordano Castro, os atores Thardelly Lima, Rafael Guedes e Cely Farias vivem repetições contínuas de possíveis formas de um futuro para o protagonista Nicolai Stepianovitch de Tal, emérito professor e condecoradíssimo que se depara com um fim inevitável: a envelhecimento. Tudo isso com boas doses de humor e referências locais, fruto de pesquisa do grupo em cada região onde a peça chega.
Em cada movimento, em cada pensamento, Nicolai percebe que já não é o mesmo. Em meio a essa análise de si mesmo, acaba se deparando também com a análise da vida que construiu. Anos como professor de currículo impecável, mas sem nenhum estudante reconhecido e uma família de conversa unilateral. Será que sua existência realmente faz diferença? Qual o fio condutor de sua vida?
O texto original chama-se “Uma História Enfadonha” (1888), do dramaturgo russo Anton Tchekhov, mas a adaptação é fruto de uma pesquisa laboratorial contínua do grupo. “A ideia é a gente ir radicalizando a desconstrução até chegar o mais longe possível do original e o mais perto possível de um extremo da nossa realidade”, conta Cely Farias.
Em meio aos questionamentos existenciais de Nicolai versus o mundo que lhe cerca, boas pitadas de humor. De peito aberto, os atores quebram a rotina da peça com um improviso. Em meio a uma conferência na universidade onde Nicolai ensina, pedem um tema. Muito seguros, acolhem a palavra dada pela plateia e discorrem sobre.
Com referências regionais, citando bares, sites e costumes locais, a peça também busca homenagear artista por onde passa. Os escolhidos da vez foram as atrizes Kassandra Brandão e Suyane Moreira e o bailarino Alysson Amâncio, com fotos dentro do grande baú que faz parte de todas as cenas.
“A gente dialoga com o espaço que ocupa, é uma maneira de gerar uma identificação com o público. é uma forma de resistência não só do grupo mas em todo o país”, afirma Cely Farias.
São quatro anos em cena e, segundo Rafael, há mudanças a cada apresentação, ajustes, trocas na ordem das cenas e novas referências. “Mas em essência é o mesmo”, conclui.
Além dos risos e reflexões, “Alegria de Náufragos” também traz inclusão com a tradução da peça para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Por fim, uma peça que enche os olhos, prende a atenção e deixa os expectadores cheios de reflexões sobre o sentido da “vida perfeita”.

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