Quem não polariza na vida e na política não existe


Na vida como na política é preciso polarizar. Quem não polariza simplesmente pode ser varrido do mapa político.
Na vida é mais ou menos assim.
Imagine você ser um profissional morno, sem ideias, sem protagonismo, que não mexe com ninguém, nem com seu colega do lado, que não estimula nenhum tipo de debate ou comportamento.
Quem não causa não aparece. Quem não aparece não é visto.
Se você no seu trabalho e na sua vida não polariza, não estimula ações e projetos, não une pessoas em torno de ideias, então, me desculpe suas chances de ser uma pessoa de sucesso é pouca.
Com esse comportamento de não querer brigar, polarizar, crescer, o viver nas sombras te levará ao fracasso.
Isso também vale para a política. Essa ideia sabuja da grande mídia corporativa e de setores políticos subalternos e intermediários de que a polarização faz mal é algo reprovável.
Ora, o mundo vive polarizado pois cada cabeça é realmente uma sentença.
As pessoas são diferentes e pensam diferente, seja na família, na turma do colégio, na empresa, dentro da igreja, no trabalho, em qualquer lugar.
As pessoas são criadas da mesma forma e saem completamente diferentes em suas ideias, projetos e  comportamentos.
Portanto quem não polariza tem prejuízos.
Daí porque na política uma das primeiras preocupações de uma articulação política é como aparecer, como chamar a atenção, como polarizar.
Portanto a polarização não é algo novo.
Jesus Cristo e a religião em todas as suas dimensões vem polarizando o mundo há séculos.
A divisão do mundo entre cristão, católicos, evangélicos e protestantes, tradicionais, católicos, hindus, espíritas, mulçumanos  e tantas outras centenas  de religiões  polarizam mundo já séculos e já vimos muitas guerras por conta disso.
A polarização do mundo entre países aí nem se fala. Várias guerras forma travadas por nações que queriam ocupar o lugar das outras. Sem polarização nada. A polarização vem determinando o mundo.
Dizer que a polarização  na política é o mal no Brasil, não é apenas cegueira, falta de avaliação ou incapacidade de   ler a política nacional, mas é uma desonestidade política.   
Se observarmos a história recente do Brasil a polarização existe sim.
E vamos lá.
Ricos e pobres polarizam a sociedade brasileira. A quantidade de revoltas populares que se deram no Brasil nos últimos dois séculos é demonstração disso.
Vamos citar alguns exemplos.
O Quilombo dos Palmares surgiu como a unidade dos negros, pelo menos de parte deles, para lutar contra a colônia e a escravidão. Em Zumbi o símbolo maior dessa luta.
Na Confederação do Tamoios, os índios Tupinambás guerrearam contra os portugueses que queriam escravizar os indígenas.
Na revolta dos alfaiates, os insurgentes queriam a independência, igualdade racial, livre comércio e abertura dos portos, além de defenderem um governo republicano.
Além de outras revoltas e rebeliões sempre abafadas às custas do sangue de brasileiros, sejam descentes de indígenas, negros ou brancos, como Tiradentes e a Inconfidência Mineira.
Todas essas revoltas foram fruto da tomada de consciência desses setores que não queriam mais viver sob o jugo dos poderosos. Fizeram o que puderam para reverter esse quadro, foram para cima, se rebelaram, polarizaram. Essas revoltas são importantes e forma importantes para que a sociedade ao  resgatar sua história saibam que aconteram revoltas, questionamentos contra os que estavam no poder. Houve acirramentos, brigas, disputas políticas e muito banho de sangue. Geralmente o povo foi teve seu sangue lavado e acabou muitas dessas lideranças embaixo da terra.
Acirramento e polarização.
Será que os povos de todo o mundo são obrigados a viverem sob o jugo de uma ínfima minoria que quer tudo, riquezas e bem estar?
Que em num determinado momento as pessoas não irão se rebelar?
Pois é, em algum momento a polarização surge como um fantasma para esquentar a luta nas sociedades, por um ou outro motivo. 
Portanto, que vem destruindo a política brasileira não é a polarização, mas a tentativa de setores sociais corporativos, incluindo mídia corporativa, a elite, setores do Judiciário e companhia limitada em banalizar a política, transformar a política no mal do Brasil.
O que vem destruindo a política brasileira é a banalização do mal, onde todo discurso de ódio, violência contra um suposto inimigo, violência contra minorias, contra os sindicatos, contra os professores, isso vai contaminando o debate e fazendo surgir “lideranças” sem apreço algum com a democracia, com o Estado Democrático de Direito, com as garantias individuais, com a Constituição Federal.
O que vem destruindo a política brasileiro é o neofascismo que estava no subterrâneo e com essa onda de destruição o monstro saiu das cavernas e está sendo muito difícil prendê-lo novamente.
Tarso Araújo, editor do Leia Sempre
e-mail: tarsoaraujo511@gmail.com




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